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dispensa explicações

Pertinho de Deus


vista aérea

Abadia de San Galgano

A ruína de uma Catedral, próximo a Siena na Itália é um dos lugares mais mágicos que já estive, uma história cheia de energia e mistérios. Neste lugar eu tive uma verdadeira vivência de conexão com o divino

Tudo começou quando fui reencontrar uma amiga de escola, depois de mais de 20 anos. Stefania que é restauradora de igrejas da época do “cinquecento” (1500) em Parma. Ela me deu algumas sugestões de passeios, um deles ela descreveu como “um lugar absolutamente inesquecível”. Depois de cruzar muitos campos toscanos chegamos a ruína de um Monastério. Uma CATEDRAL onde só as paredes estão de pé.

 

 

a arquitetúra impressiona pelo tamanho e pela integração na paisagem

 

A suposta cúpula era o céu! O que te deixa mais perto de Deus por não haver barreiras  entre nós e o divino. O piso é de terra batida, a grande mãe terra! Eu tirei os sapatos, fiquei com pés na terra e levantei as mãos pro céu. Os santos e afrescos foram absorvidos pela natureza e plantas, árvores e pássaros atravessam os espaços vazios. O som do bater as assas, do canto dos pássaros ou de crianças que correm como anjos.  A minha experiência foi de me sentir dentro uma moldura que delimitava um solo sagrado, sem me sufocar.

Uma energia incrível, pra mim San Galgano é um portal para uma outra dimensão.

Até aquele momento eu não fazia idéia da história que aquele lugar reservava.

 

 

suspiro profundamente uuuuufffffffffff!

Depois de rezar, chorar, meditar descobri uma pequena capela, no alto da morro ao lado do monastério.

estas são as fotos que tirei

 

 

San Galgano viveu no sec. XII, trocou a vida das lutas e prazeres de um cavaleiro templário para se tornar um eremita. Ele se isolou numa cabana no alto do morro e enterrou sua espada de ferro numa pedra transformando-a em uma cruz (1180). Hoje a espada está protegida por uma redoma. Eu a vi, procurei uma fenda uma marca uma rachadura. 


Algumas lendas dizem que ele chegou a ser um cavaleiro da Távola Redonda. A idade da espada atesta a originalidade da época. Depois de anos construíram um mosteiro em homenagem ao eremita e surgiu um dos braços da igreja católica.


Abadia de San Galgano, século XIII,  foi muito influente na Toscana,  foi protegida, recebeu dinheiro e apoio de Henry VI, Otto IV e de Frederico II. Foram muitas histórias de glórias e conflitos durante o apogeu e a decadência dessa catedral, no século XIV com a fome (1328), praga (1348), que afetou toda hierarquia dos monges.

Em 1781 o teto da igreja desabou; em 1786 um  raio destruiu a torre do sino; o bronze do sino foi vendido por kilo e a abadia foi transformada em uma fundição; em 1789 a igreja se tornou um lugar profano e foi abandonada.

Mesmo tendo sido abandonada pelas ordens religiosas a energia que inspirou o cavaleiro Galgano a se tornar um homem santo continua emanando em todo lugar, ter sentido a magia do lugar antes de saber a história me encantou mais ainda.

Chiusdino

Veja bem nesse 3D a posição celeste da espada entre todos os signos do zodíaco que é percorrido pelo feixe de luz, coincidência?

 

Se você quiser conhecer mais dessa história achei o post do Marcos Machrysller conta toda a história tim tim por tim tim.


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Contato com Mandela


museu do Apartheid

Os 192 Estados-membros da Assembleia Geral da ONU escolheram o dia 18 de julho como Dia Internacional Nelson Mandela, assim o dia do 92º aniversário do ex-presidente sul-africano é transformado em um “dia internacional do ativismo”.

Essa é uma forma de recompensar Madiba que dedicou sua vida às causas que a ONU defende na conduta sobre os conflitos inter-raciais, pelos direitos humanos e a defesa entre a igualdade dos sexos.

Ao passar por Cape Town, vc pode se apaixonar pelas belezas geográficas da cidade ou se impressionar com a história de escravidão e discriminação racial que eles viveram até pouco tempo atrás.

Só é possível sentir o peso da história que foi esse período se vc tiver estomago  pra visitar Robben Island , agora tombada, e sentir a presença de Nelson Rolihlahla Mandela, que ficou preso durante 26 anos, por ser ativista político e o principal responsável pelo fim da segregação social, que dividiu a população em brancos, negros e indianos


A ilha, teve uma vila habitada com casas, igreja, mesquita, escolas, depois foi usada como descarte de leprosos, que eram abandonados aqui ao vento e frio. A partir da 2º Guerra, passou a ser penitenciária, masculina para negros, criminosos comuns da África do Sul e alguns países vizinhos e prisioneiros políticos.

 

o mar entre Robben Island e Cape Town, Table Mountain

A vista é privilegiada para Table Moutain, a cidade aparece até relativamente perto, mas a água é tão gelada que é suicídio, para um ser humano, mergulhar nesse mar, ele morreria de hipotermia em alguns minutos, só os pingüins andam livremente entre a praia e o mar.

Durante o dia os prisioneiros quebravam pedras  ao ar livre, 365 dias por ano, chuva ou sol, inverno ou verão, usavam uma gruta como banheiro. Vc pode imaginar todos os presos usando uma gruta sem nunca limpa-la? Os brancos tinham verdadeiro horror e nojo naquele lugar, então quando os presos perceberam isso, passaram a usar a gruta como sala de conferência, era o único lugar que podiam ficar sozinhos, deixavam mensagens nas paredes, muitas das decisões que estão na atual constituição foram tomas lá dentro. As pedras no centro simbolizam as várias cores das pessoas que passaram por aqui. Esse lugar reflete tanta luz que as pessoas ficam cegas.

Os setores da prisão são separadas por categorias de presos, religião e raça.

cela que Nelson Mandela passou 8 anos

É incrível sentir a dor e o frio do silêncio dessa ilha. Como suportar tanto tempo dormindo no chão de cimento?

O alarme na porta, as lágrimas da parede, as cicatrizes dos travesseiros, as manchas nos tecidos,  estampam sutilmente a dor e o isolamento dos presos políticos que almejavam apenas a igualdade de direitos humanos.

Entre uma catarse e outra, imaginei que apenas os fios de cabelo, as sujeiras e os excrementos podiam se libertar de seus corpos e fugir pelos esgotos.

Sem família, sem cartas, sem jornais, só o profundo isolamento.   A meta de cada um era superar o frio, os reumatismos, as pneumonias e as diarréias as dores de cabeça, os choques elétricos de cada dia e sobreviver.

o caminho da liberdade

Foi também superando todos outros homens que Nelson Mandela sobreviveu e perdoou seus 26 anos passados em Robben Island. A superação humana e o perdão se tornou uma bandeira de paz e liberdade, que pode ser vista  no filme Invictus de Kenneth Turan. Aqui, hoje, véspera da Copa do Mundo, depois de várias campanhas na TV sobre como ser gentil e respeitar a união entre os povos, todos procuram, ser simpáticos, pelo menos formalmente, quando te cumprimentar socialmente na rua.

a saída da ilha

Passar a tarde em Robben Island, a princípio me apavorou, depois saí daqui com esse sentimento de perdão e de superação dos limites, da paciência de poder esperar o momento certo pra conseguir melhorar o mundo.

“O perdão liberta o coração. A reconciliação limpa o medo por isso é uma arma tão poderosa, …temos que surpreender com compaixão e generosidade”.

Nelson Mandela

Mandela, “passou 67 anos de sua vida se dedicando ativamente a promover e conseguir a mudança social” e por causa disso, a Fundação Nelson Mandela, de Johannesburgo, sugere que, no 18 de julho, “as pessoas dediquem simbolicamente pelo menos 67 minutos de seu tempo para servir suas comunidades em qualquer coisa que quiserem”.

sombras, reflexos e desejos de me inspirar na sua perseverança e paciência

Bia Fioretti, repete o discurso de liberdade e igualdade, das últimas semanas, essa foi a mensagem que eu trouxe para a Africa do Sul (vim aqui pra  falar da universalidade dos sentimentos entre as parteiras de todo mundo) levo de volta para o Brasil, um discurso ainda maior, de iguladade entre todos no mundo.

 
 
 
 
 
 
 
Perdi meu xale de lã pura nesse lugar, era de estimação feito  por uma parteira, que me acompanhava em todas as viagens, a princípio fiquei  muito triste, depois doei espiritualmente para aquelas ALMAS GELADAS que ficam assombrando esse lugar. Pratiquei o desapego ao dedicar cada um dos fios a cada um dos espíritos, como uma oração, para que também superem o sofrimento.
 
 
 

 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Obrigada Madiba por esse encontro e por essa  lição de desapego e liberdade de alma.


WHILE WE WILL NOT FORGET
THE BRUTALITY OF APARTHEID
WE WILL NOT WANT
ROBBEN ISLAND
TO BE A MONUMENT
OF OUR HARDSHIP
AND SUFFERING
WE WOULD WANT IT
TO BE A TRIUNPH
OF THE HUMAN SPIRIT
AGAINST THE FORCES OSF EVIL
A TRIUNPH OF WISDOM
AND LARGENESS OF SPIRIT
AGAINST SMALL MINDS
AS PETTINESS
A TRINPH OF COURAGE
AND DETERMINATION
OVER HUMAN FRAILTY
AND WEAKNESS

Ahmed Kathrada 1993



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Carnaval de rasgar a fantasia



O que é natureza morta? paisagem sem vida, apenas  geografica?

No carnaval passado resolvemos viver uma realidade e não uma fantasia. Ao invés de cenários feitos de resina, com plantas artificiais e atmosfera fake de um Magic Kindon. Decidimos entrar num cenário de ficção cientifica, fomos experimentar andar em marte e mudamos todas as nossas referências.

SAO/SANTIAGO, sábado de carnaval – chegamos no Chile as 4:00 da manhã,  aeroporto deserto, esperamos até as 6:30 para pegar outro avião por mais algumas horas até  Calama –  apesar de zuados e mortos de fome, tudo era pretexto pra diversão, principalmente pra quem não pode  perder uma chance.“Haha, tudo vale a pena qdo a vida não é pequena (mega jargão, mas é mesmo).

ele realmete fez isso - quantas vezes já pensamos em fazer o mesmo?

eu só pensava no quanto eu ia ouvir ...sobre a minha invenção de ir pra lá!!!!

Tudo também pode ser preocupação se a filhota ta com 39 de febre.  Alugamos o carro, saímos do aeroporto, foi aí que o bom humor passou rapidinho, encaramos outra hora e meia em direção a San Pedro de Atacama uma estrada, no meio do nada – N A D A, nada mesmo. CARACA, que idéia de jerico eu tinha tido, deserto do Atacama, era deserto mesmo, mas o que eu queria? onde fomos nos meter????????

Bem, meio mortos vivos, sonados abduzido, sedentos e faminto chegamos ao Tulor Hotel. Ai meu Deus! reservamos pela internet, era único que tinha vaga… A gente sempre espera entrar numa fria, e eu pensava, “deve ser um fiasco? Dessa vez vai dar errado’. QUE NADA! O lugar era mega fofo, lindinho, com um clima super amigável.

A dona é uma arqueóloga super famosa, que foi para lá fazer pesquisas na época da ditadura, construiu o hotel inspirado nas ruínas das casas andinas que ela mesma descobriu. Algumas noites fomos convidados a escutar  workshops para um grupo francês sobre os tesouros locais. VALE A PENA, recomendo! Bom, bonito e o preço é bem justo.

1º Dia – Vale da Lua – mais quem já esteve lá  diz que mais parece Marte, como num tive nem na lua nem em Marte digo que parece um cenário de outro mundo, o por do sol é o point do lugar.

Vale da Morte – Star Wars é aqui, a cada momento parece que vai sair um inseto de metal com pernas compridas ou um batalhão de extra-terrestres armados – incrível! Te faz sentir um ser minusculo, insignificante, pior que pó de ampulheta. Ampulheta sim, porque o tempo por lá não existe, só temperatura.

invasão de terraquios no vale da morte

2º Dia – mergulhar e não afundar, incrível! O recomendável mergulhar e sim boiar, pq nesse lugar vc não afunda ( quase a mesma densidade do mar morto e só que bem mais perto) – o filhote tentou mergulhar a cabeça e ficou cheio de sal nos olhos, uma semana depois ainda tinha sal no ouvido  – Estar no Atacama é estar no meio do nada, é sair de manhã viajar um tempão pra chegar em algum lugar de um outro mundo, algum oasis. O por do sol no Salar, parece gelo, mas é sal, um branco que se mistura com o azul e laranjas, mergulhar na lagoa salgada, ver os olhos de deserto.

Se o primeiro dia foi para quebrar as referências o segundo foi pra tirar a uruca, haja sal grosso, haja banho de sal, não deve haver olho gordo que não sobreviva. A experiência é incrível!

parece gelo, mas é sal puro, dá pra imaginar o estado do pé dele depois?

3º dia – superar os limites, munidos com folha de coca, o dia foi de conquista do espaço, subir, viajar, subir, subir, viajar, cada vez mais nada, cada vez mais alto. A paisagem é o espaço vazio no altiplano, uma, duas, tres, quatro horas de viagem até chegarmos a catedral de Pedra. Superamos os 5.300 mil metros de altitude. Banheiro? Só ao ar livre, é muita libertação, rssss, sempre há uma primeira vez, será o efeito da erva? A língua fica adormecida, mas  vale a pena fazer um pic nic na frente da reserva de flamingos. O único problema é ter que voltar outras 4 horas. UFAFAFAFA!

a dimeção é simplesmente impressionante

4º Dia – do infra mundo ao sub mundo –  Nem bem dormimos já acordamos, em plena madruga, 3 horas de viagem até os Gêiseres – o nascer do dia, o frio escaldante, escaldante sim porque aquele vapor queima, foi o melhor café da manhã da viagem, ovos cozido e chocolate quente feito no vapor do Gêiser Incrível.

em que mundo estivemos

café da manhã - ovos cozido no sco plástico no vapor

surreal

último dia – Depois de sermos abduzidos pela paisagem, passarmos pela limpeza de corpo e alma dos salares, subir nas alturas altiplanicas e queimar nas narinas do dragão, fomos as Termas de PURITANA – vc não dá nada pelo lugar e é o paraíso, enquanto lá fora está 14º dentro da água está 28º . Uma cachoeira quente que faz pequenas piscinas de da mais pura água andina potável, vc fica sozinho, com sua família sem platéia, na maior privacidade. #surteigriteichorei, só que dessa vez de alegria e de felicidade, é pura emoção. Quando olhei pro maridão ele estva vazendo  UOM ( som Hindu) por iniciativa própria. Água, muita água doce, pura, clara – tinha plantas, tinha verde, tinha vida.

o nível da água está na altura da mão

Aqui vc sente, a energia do universo, a paz absoluta. Depois daqui missão cumprida, a viagem e todas as experiências foram maravilhosa, quebramos todas as referências e entramos em uma outra dimensão do universo. Agora a volta é só uma questão de tempo e espaço, mas nunca vc voltará do mesmo jeito. O carnaval de 2009 – no ano passado, rasgamos realmente as fantasias desse nosso mundo contemporâneo e nos conectamos a um outro planeta. Restou uma lição  a paisagem desértica de natureza morta, do Atacama, pode passar a ser dominante no planeta se não cuidarmos dele. Nesse carnaval de 2010, eu quero mais é sentir o cheiro da mata Atlantica, ispirar a umidade da Serra do Mar, mergulhar nas águas salgadas do nosso litoral  e encher os olhos com  cada montanha verdinha que tiver ao alcance dos meus olhos. YAHOOO.

out-door que comunica mais do que mil palavras

LOOK Atacma –  prepare-se com roupas de expedição, calça e blusa impermeável, camiseta dry fit e botas a prova d’agua – vc passará do calor de mais de 40º ao frio de 10º em poucas horas ( isso no verão) e sem dúvida vai enfiar o pé na lama

foto histórica - mais uma experiência inédita

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Tidú – remédio pra alma


Eu tava no olho do furacão dos meus 40 anos, no meio daquela crise de bússola desorientada. Prestes a me separar (depois de 14 anos), não via mais nada, tava completamente cega. Entrei num processo anoréxico, melancólico, não curtia como devia as crianças e, lógico, afogava as mágoas no trabalho. Até aquele momento eu nunca havia cruzado uma fronteira social, não tinha vida de dondoca, pq ralava muito, mas era bem patricinha – toda familia, casa trabalho, shopping, passaporte, cabelereiro.

Foi quando uma amiga, daquelas amigas; amigas mesmo, Adri Costa, fez um convite e me levou para o Espírito Santo ( olha bem o nome do lugar e s p i r i t o  s a n t o), ajudar uma outra amiga dela, a Ninom, que planejava montar uma ONG, “O Caminho das Tradições Sagradas”  e eu tinha que fotografar e depois montar um projetinho . 2h de avião, 4h de carro numa estrada que parecia estar num trem fantasma de tantos perigos. Enfim, chegamos praticamente abduzidas num vilarejo, um cenário, quase na fronteira Bahia. Fronteira mesmo porque chegar lá parecia, um faroeste a caminho do fim de mundo ou seria a caminho do paraíso.

 

 

a parteira Tidú

 

Naquela noite encontrei a primeira deusa do feminino, aquela mulher que fez mudar o meu olhar para o mundo e consequentemente, mudou o rumo da minha vida. Tidú era parteira, conselheira, psicóloga, curandeira, ….eira, ela não contava história ela recitava as histórias e eram tão envolventes que se Guimarães Rosa tivesse escutado, teria se apaixonado.

Não havia um problema sem oração e sem solução.

Não havia uma erva , um matinho, que não curasse.

Ela era tão original que até o velho casaco rasgado, tava amarrado de uma forma mega fashion. A Dri e eu sentamos aos pés dela, enquanto Ninom fazia todas as perguntas e conduzia a conversa. Ficamos muitos dias juntas, e no final eu era a “fiel guardiã” de histórias incríveis.

Eram histórias além dos partos,  no fundo Tidú era uma grande terapeuta, aquela sábia como a avó-árvore do filme da Pocahontas.

Depois de uns dias, #surteigriteichorei, desabafei, pedi conselhos, vomitei meus segredos e  abri todos os medos pelo meu futuro. Ela olhou pra mim com aquela carinha de vóz da consciência e falou:

“Tem que chegar alguém na planta pra não murchar.

“Ocê tem que viver da forma que a ocê quer, pra ser feliz”

“Faça um mingau, beba e agradeça a Deus o dia que você vive”…. então Tidu completou:” eu faço o sinal da cruz e peço licença a Deus pra descansar e pra Nossa Senhora dos Passos pra me guiar no dia seguinte”.

No primeiro instante não entendi nada, queria respostas, tipo faço isso ou aquilo? Vou não vou? Caso ou compro uma bicicleta? Mas depois eu entendi –

tradução: É  vc tem que fazer algo por vc mesma, tem que se cuidar, se não acaba morrendo ou adoecendo, vc tem que fazer as coisas que te deixe feliz, que te dê prazer. Não existe remédio, vc tem que parar de se lamentar e começar a agradecer o que vc tem, volte a se nutrir, que vc alimenta o corpo e o espirito. Então ela disse: ” A noite quando eu vou dormir e não sei como resolver um problema, eu peço liceça a Deus pra dormir em paz  e que no dia seguinte eu saiba o que e como resolver”. Pedir licença a Deus seria reconhecer uma força uma energia maior que não te abandona. e todo dia, naquela hora que me boicotava eu pensava – tenho me regar como planta e alimentar o meu espírito, parace óbvio, mas na hora funciona.

Naqueles dias eu aprendi uma palavra chave “confiança”. Foi Tidu quem me inspirou a descobrir se as parteiras em geral seriam como ela. Fortes, sábias, conselheiras, mulheres que se propõe a ajudar os outros. Assim começou a minha busca da essência do feminino. O que essa nova Bia Fioretti pretente com isso?   Descobrir o que todas essas mulheres tem em comum, qual é essa essencia que temos em comum,  independente da cultura, raça ou religião. Assim nasceu o meu projeto pessoal, Mães da Pátria – Movimento de Resgate do Feminino através das Parteiras Tradicionais – foi por acreditar e conviver na energia que tem mulheres como ela que me tornei outra pessoa. Eu consegui superar  um monte de crise, me desconstruí e me reconstruí ( veja o post da CAOS) e aprendi a ajudar outras pessoas.

Nunca conheci parteira triste, ou parteira feia ou parteira que reclamasse da vida. Uma parteira nunca se sente só, sempre escuto: Era eu e Deus…

Semana passada, estava numa roda de mulheres, no encontro da lua Nova, organizado pela Sabrina, e conheci a Alba, que tava de passagem por São Paulo (vc não acreditaria mas ela tava sentada do meu lado). Não sei como o assunto surgiu mas ela também conhecia Tidu e havia feito um outro trabalho sobre o resgate da ancestralidade daquela vila mágica, foi quando ela me falou que ela Tidú tinha morrido, há poucos meses (2009).

Tidu é a parteira nº 1 das mais de 900 mulheres que já entrevistei.

Apesar de beata, Tidu era mesmo uma religiosa do próprio espírito .

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caos – parade


Comunicado: dessa vez eu não participei da cow parede, já recebi vários e-mails perguntando isso. Da outra vez fizemos a CAOS em parceria e batizada pelo Giba Reis,  fiz o desenho como expurgo de uma crise pessoal e recomeço vida. Caos foi uma vaca supercolorida inspirada no meu processo de desconstrução – A cabeça virada pra traz e pra cima, morte e renascimento, as tetas estavam partidas, uma alimentava a terra a outra o espírito – http://saopaulo.cowparade.com/cow/detail/3216

Entrei no processo de seleção cow parade por um desenho, que enviei após ter recebido uma mala direta, o desenho foi selecionado e não foi escolhido pelos patrocinadores para ser produzido. Uma semana antes do lançamento a própria organização ligou e me convidou a fazer a Caos, a própria cow parade seria a patrocinadora da vaca. Passei um final de semana no galpão, com a equipe de montagem do evento, serrando e colando com resina e fibra vidro aquele bichão.

Inauguração: tremenda badalação no MIS, e a CAOS tava logo na entrada, o idealizador máster da cow parade NY me falou que foi das vacas mais diferentes que já tinha sido produzida. Incrível! Mal sabia ele que era o meu espelho, era como me sentia, picada, esquartejada e tentando achar uma estética no meu universo caótico.

Depois do Mis a vaca passou uma semana no Iguatemi, quando foi consignada por uma loja de criança, a vaca que representava a minha desconstrução, morta e esquartejada, ficou conhecida como a vaca cubo mágico.

Soube que foi atropelada na Al. Lorena, depois restauraram. No leilão, da cow parade a Caos foi arrematada entre os maiores valores da noite soube que ela se instalou numa fazenda. No final do concurso, levamos o 1º premio do júri especial da cow parade dividimos o podium com ao artista plástico www.ricolins.com/ com a vaca O+Avesso+do+Avesso. Não posso negar que isso me deixou + feliz

A experiência foi incrível, aconselho a exorcizar na arte as angústias e o sofrimento, quando conseguimos transmitir originalidade num trabalho, ele acontece.

Mas dessa vez, 2010, não tinha fôlego pra mergulhar tão fundo no inconsciente – e passar outro parto criativo

valeu Guto – http://euviavaca.blogspot.com/2005_09_11_archive.html– vc  guardou a minha memória – algumas dessas fotos tavam na sua página até hoje

leite

prêmio cow parede

look cowparade – festa do Mis,  garimpei essa jaquetinha do Kenzo, num brechó, http://www.kenzo.com – amei, supercolorida, retângulos partidos com fatias de frutinhas de cores alteradas – tipo negativo. O resto era pretinho básico mesmo , mas a jaqueta mudava o efeito dia a dia. Quando abri o armário não sabia o que tinha influenciado o que? A jaqueta inspirou a vaca ou vice-versa? O fato é que tudo se mimetiza no universo da Bia

casaco kenzo vintage

jaqueta kenzo - vintage

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o mundo conspira


Como é difícil tomar um decisão, principalmente diante do desconhecido, enfim acordei numa segunda disposta a fazer um curso: Aprenda a fazer de Bolg – http://www.escolasaopaulo.org/atividades/aprenda-a-fazer-blogs-2/aprenda-a-fazer-blogs com com a blogueira lilianeferrari.com,  Incrível! Vale super a pena. Mal dormi a semana toda de tanta ansiedade em não precisar pedir favor a ninguém pra desenvolver trabalho” internauticos”. Como é de se esperar tudo conspira contra, CARACA, nunca tive tanto trabalho na agencia e pra conseguir sair as 6:00h foi um parto, mas como de parto eu entendo, rss, www.maesdapatria.com.br 18:00 quinta- feira – última aula, São Paulo a beira do dilúvio e eu com 4 reuniões previstas pra sexta com 3 diferentes campanhas pra entregar. Só mesmo Nossa Sra. do Layout pra fazer um milagre. Mas como: cada dia sua agonia, eu precisava primeiro de uma arca de Noé pra absorver tanta informação dentro da sala de aula.
11:00, da noite descobri que o pai das crianças não tinha ido busca-los e “aquele” jantar romântico reconciliatório tinha que ser desmarcado, dei um piti total. Surtei, gritei, chorei, sem dó nem piedade.

5:00 da manhã, sexta acordo sem mal ter dormido, chego na agencia antes das 6:00 da madruga, afinal precisava de um milagre divino, graças a Deus meu assistente já estava lá. Enquanto orientava ele num job eu acabava outro. Enquanto as 10:00 saía 3 opções de cardápio, eu ia pra uma reunião de concorrência, pegar um novo briefng. Ao 12:00 tive uma entrevista para uma possível matéria do projeto de Resgate do Feminino, maesdapatria.wordpress.com às 14:00 apresentamos uma campanha pra pdv de banca de jornal – lançamento de uma coleção de literatura, às 16:30 fui para uma incorporadora apresentar um estande de vendas. UAU!!!!!!!! faz tempo que o mundo não conspirava assim…

18:30 Se acha que o dia acabou? Não tinha nem almoçado, fui pra casa, as crianças ainda estavam de férias estava cheia de remorso do “Piti” da véspera. Hum! cheirinho de milho cozido, irresistível, se os povos Mayas acreditam que o milho tinha uma alma dentro da espiga, como um ser humano. Comer milho tinha que ser regenerador de energia. Arrisquei.

Os Mayas chamavam o milharal de "os rios de luz dos Deuses"

A noite era uma criança pra quem tem filha adolescente, e tinha a balada pré volta as aulas, socooorro, virar outra noite, não dava. A última vez que ela reuniu a galera em casa eu dei um basta as 7:30 da manhã. 21:00 Ainda precisava estar meiga e paciente para amenizar o ex-jantar romântico da véspera. Fomos a um rodízio japonês, a 3, o filhote foi junto, e pra variar ele tava inspiradíssimo, rimos muito com ele.

00:00 sábado Na volta do jantar a batalha contra o sono, dessa vez não aliviei, a festa pra ela terminou às 2:20, com cara emburrada e batendo a porta do quarto estávamos todos em casa, o namorido também. Finalmente o dia ia terminar, ou quase, rsss ….
Eu que iniciei a semana cheio de planos internáuticos e decidida a fazer o meu blog, passei o dia sem sequer abri meus e-mails, pelo menos consegui não faltar no curso de blog afinal, já é sábado e o final de semana já havia começado.

Look para um dia de CAOS; (não era a Caos da cow parade) pretinho básico (me perdoem os Orixás, sorry, apesar de ser sexta, hoje tem que ser pretinho mesmo, nada sobrevive ter que estar apresentável por quase 22 horas)

look 24h no ar

– CASACO http://www.takashimaya-ny.com/ – coleção roupas para viajar (não amassa, sugestão do Osvaldo, sales associate, brasileiro no último andar, gentilíssimo) – style japonês, com mangas sino (para dar paciência) – BROCHE ARANHA http://rebecaguerberoff.com.br/ (para ter proteção) – calça preta tipo retinha, mais curta, e lógico, sapato vermelho (Giovana Hassler, por onde anda Giovana Hassler? adorava seus modelitos), “AMOOOO SAPATOS VERMELHOS”, tenho vários, minha mãe contava um história de uma menina que quando colocava sapatos vermelhos não parava de dançar – pelo menos dei conta de tudo e ainda terminei o dia apresentável e o assunto rendeu para um primeiro post.

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