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Carnaval de rasgar a fantasia



O que é natureza morta? paisagem sem vida, apenas  geografica?

No carnaval passado resolvemos viver uma realidade e não uma fantasia. Ao invés de cenários feitos de resina, com plantas artificiais e atmosfera fake de um Magic Kindon. Decidimos entrar num cenário de ficção cientifica, fomos experimentar andar em marte e mudamos todas as nossas referências.

SAO/SANTIAGO, sábado de carnaval – chegamos no Chile as 4:00 da manhã,  aeroporto deserto, esperamos até as 6:30 para pegar outro avião por mais algumas horas até  Calama –  apesar de zuados e mortos de fome, tudo era pretexto pra diversão, principalmente pra quem não pode  perder uma chance.“Haha, tudo vale a pena qdo a vida não é pequena (mega jargão, mas é mesmo).

ele realmete fez isso - quantas vezes já pensamos em fazer o mesmo?

eu só pensava no quanto eu ia ouvir ...sobre a minha invenção de ir pra lá!!!!

Tudo também pode ser preocupação se a filhota ta com 39 de febre.  Alugamos o carro, saímos do aeroporto, foi aí que o bom humor passou rapidinho, encaramos outra hora e meia em direção a San Pedro de Atacama uma estrada, no meio do nada – N A D A, nada mesmo. CARACA, que idéia de jerico eu tinha tido, deserto do Atacama, era deserto mesmo, mas o que eu queria? onde fomos nos meter????????

Bem, meio mortos vivos, sonados abduzido, sedentos e faminto chegamos ao Tulor Hotel. Ai meu Deus! reservamos pela internet, era único que tinha vaga… A gente sempre espera entrar numa fria, e eu pensava, “deve ser um fiasco? Dessa vez vai dar errado’. QUE NADA! O lugar era mega fofo, lindinho, com um clima super amigável.

A dona é uma arqueóloga super famosa, que foi para lá fazer pesquisas na época da ditadura, construiu o hotel inspirado nas ruínas das casas andinas que ela mesma descobriu. Algumas noites fomos convidados a escutar  workshops para um grupo francês sobre os tesouros locais. VALE A PENA, recomendo! Bom, bonito e o preço é bem justo.

1º Dia – Vale da Lua – mais quem já esteve lá  diz que mais parece Marte, como num tive nem na lua nem em Marte digo que parece um cenário de outro mundo, o por do sol é o point do lugar.

Vale da Morte – Star Wars é aqui, a cada momento parece que vai sair um inseto de metal com pernas compridas ou um batalhão de extra-terrestres armados – incrível! Te faz sentir um ser minusculo, insignificante, pior que pó de ampulheta. Ampulheta sim, porque o tempo por lá não existe, só temperatura.

invasão de terraquios no vale da morte

2º Dia – mergulhar e não afundar, incrível! O recomendável mergulhar e sim boiar, pq nesse lugar vc não afunda ( quase a mesma densidade do mar morto e só que bem mais perto) – o filhote tentou mergulhar a cabeça e ficou cheio de sal nos olhos, uma semana depois ainda tinha sal no ouvido  – Estar no Atacama é estar no meio do nada, é sair de manhã viajar um tempão pra chegar em algum lugar de um outro mundo, algum oasis. O por do sol no Salar, parece gelo, mas é sal, um branco que se mistura com o azul e laranjas, mergulhar na lagoa salgada, ver os olhos de deserto.

Se o primeiro dia foi para quebrar as referências o segundo foi pra tirar a uruca, haja sal grosso, haja banho de sal, não deve haver olho gordo que não sobreviva. A experiência é incrível!

parece gelo, mas é sal puro, dá pra imaginar o estado do pé dele depois?

3º dia – superar os limites, munidos com folha de coca, o dia foi de conquista do espaço, subir, viajar, subir, subir, viajar, cada vez mais nada, cada vez mais alto. A paisagem é o espaço vazio no altiplano, uma, duas, tres, quatro horas de viagem até chegarmos a catedral de Pedra. Superamos os 5.300 mil metros de altitude. Banheiro? Só ao ar livre, é muita libertação, rssss, sempre há uma primeira vez, será o efeito da erva? A língua fica adormecida, mas  vale a pena fazer um pic nic na frente da reserva de flamingos. O único problema é ter que voltar outras 4 horas. UFAFAFAFA!

a dimeção é simplesmente impressionante

4º Dia – do infra mundo ao sub mundo –  Nem bem dormimos já acordamos, em plena madruga, 3 horas de viagem até os Gêiseres – o nascer do dia, o frio escaldante, escaldante sim porque aquele vapor queima, foi o melhor café da manhã da viagem, ovos cozido e chocolate quente feito no vapor do Gêiser Incrível.

em que mundo estivemos

café da manhã - ovos cozido no sco plástico no vapor

surreal

último dia – Depois de sermos abduzidos pela paisagem, passarmos pela limpeza de corpo e alma dos salares, subir nas alturas altiplanicas e queimar nas narinas do dragão, fomos as Termas de PURITANA – vc não dá nada pelo lugar e é o paraíso, enquanto lá fora está 14º dentro da água está 28º . Uma cachoeira quente que faz pequenas piscinas de da mais pura água andina potável, vc fica sozinho, com sua família sem platéia, na maior privacidade. #surteigriteichorei, só que dessa vez de alegria e de felicidade, é pura emoção. Quando olhei pro maridão ele estva vazendo  UOM ( som Hindu) por iniciativa própria. Água, muita água doce, pura, clara – tinha plantas, tinha verde, tinha vida.

o nível da água está na altura da mão

Aqui vc sente, a energia do universo, a paz absoluta. Depois daqui missão cumprida, a viagem e todas as experiências foram maravilhosa, quebramos todas as referências e entramos em uma outra dimensão do universo. Agora a volta é só uma questão de tempo e espaço, mas nunca vc voltará do mesmo jeito. O carnaval de 2009 – no ano passado, rasgamos realmente as fantasias desse nosso mundo contemporâneo e nos conectamos a um outro planeta. Restou uma lição  a paisagem desértica de natureza morta, do Atacama, pode passar a ser dominante no planeta se não cuidarmos dele. Nesse carnaval de 2010, eu quero mais é sentir o cheiro da mata Atlantica, ispirar a umidade da Serra do Mar, mergulhar nas águas salgadas do nosso litoral  e encher os olhos com  cada montanha verdinha que tiver ao alcance dos meus olhos. YAHOOO.

out-door que comunica mais do que mil palavras

LOOK Atacma –  prepare-se com roupas de expedição, calça e blusa impermeável, camiseta dry fit e botas a prova d’agua – vc passará do calor de mais de 40º ao frio de 10º em poucas horas ( isso no verão) e sem dúvida vai enfiar o pé na lama

foto histórica - mais uma experiência inédita

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Tidú – remédio pra alma


Eu tava no olho do furacão dos meus 40 anos, no meio daquela crise de bússola desorientada. Prestes a me separar (depois de 14 anos), não via mais nada, tava completamente cega. Entrei num processo anoréxico, melancólico, não curtia como devia as crianças e, lógico, afogava as mágoas no trabalho. Até aquele momento eu nunca havia cruzado uma fronteira social, não tinha vida de dondoca, pq ralava muito, mas era bem patricinha – toda familia, casa trabalho, shopping, passaporte, cabelereiro.

Foi quando uma amiga, daquelas amigas; amigas mesmo, Adri Costa, fez um convite e me levou para o Espírito Santo ( olha bem o nome do lugar e s p i r i t o  s a n t o), ajudar uma outra amiga dela, a Ninom, que planejava montar uma ONG, “O Caminho das Tradições Sagradas”  e eu tinha que fotografar e depois montar um projetinho . 2h de avião, 4h de carro numa estrada que parecia estar num trem fantasma de tantos perigos. Enfim, chegamos praticamente abduzidas num vilarejo, um cenário, quase na fronteira Bahia. Fronteira mesmo porque chegar lá parecia, um faroeste a caminho do fim de mundo ou seria a caminho do paraíso.

 

 

a parteira Tidú

 

Naquela noite encontrei a primeira deusa do feminino, aquela mulher que fez mudar o meu olhar para o mundo e consequentemente, mudou o rumo da minha vida. Tidú era parteira, conselheira, psicóloga, curandeira, ….eira, ela não contava história ela recitava as histórias e eram tão envolventes que se Guimarães Rosa tivesse escutado, teria se apaixonado.

Não havia um problema sem oração e sem solução.

Não havia uma erva , um matinho, que não curasse.

Ela era tão original que até o velho casaco rasgado, tava amarrado de uma forma mega fashion. A Dri e eu sentamos aos pés dela, enquanto Ninom fazia todas as perguntas e conduzia a conversa. Ficamos muitos dias juntas, e no final eu era a “fiel guardiã” de histórias incríveis.

Eram histórias além dos partos,  no fundo Tidú era uma grande terapeuta, aquela sábia como a avó-árvore do filme da Pocahontas.

Depois de uns dias, #surteigriteichorei, desabafei, pedi conselhos, vomitei meus segredos e  abri todos os medos pelo meu futuro. Ela olhou pra mim com aquela carinha de vóz da consciência e falou:

“Tem que chegar alguém na planta pra não murchar.

“Ocê tem que viver da forma que a ocê quer, pra ser feliz”

“Faça um mingau, beba e agradeça a Deus o dia que você vive”…. então Tidu completou:” eu faço o sinal da cruz e peço licença a Deus pra descansar e pra Nossa Senhora dos Passos pra me guiar no dia seguinte”.

No primeiro instante não entendi nada, queria respostas, tipo faço isso ou aquilo? Vou não vou? Caso ou compro uma bicicleta? Mas depois eu entendi –

tradução: É  vc tem que fazer algo por vc mesma, tem que se cuidar, se não acaba morrendo ou adoecendo, vc tem que fazer as coisas que te deixe feliz, que te dê prazer. Não existe remédio, vc tem que parar de se lamentar e começar a agradecer o que vc tem, volte a se nutrir, que vc alimenta o corpo e o espirito. Então ela disse: ” A noite quando eu vou dormir e não sei como resolver um problema, eu peço liceça a Deus pra dormir em paz  e que no dia seguinte eu saiba o que e como resolver”. Pedir licença a Deus seria reconhecer uma força uma energia maior que não te abandona. e todo dia, naquela hora que me boicotava eu pensava – tenho me regar como planta e alimentar o meu espírito, parace óbvio, mas na hora funciona.

Naqueles dias eu aprendi uma palavra chave “confiança”. Foi Tidu quem me inspirou a descobrir se as parteiras em geral seriam como ela. Fortes, sábias, conselheiras, mulheres que se propõe a ajudar os outros. Assim começou a minha busca da essência do feminino. O que essa nova Bia Fioretti pretente com isso?   Descobrir o que todas essas mulheres tem em comum, qual é essa essencia que temos em comum,  independente da cultura, raça ou religião. Assim nasceu o meu projeto pessoal, Mães da Pátria – Movimento de Resgate do Feminino através das Parteiras Tradicionais – foi por acreditar e conviver na energia que tem mulheres como ela que me tornei outra pessoa. Eu consegui superar  um monte de crise, me desconstruí e me reconstruí ( veja o post da CAOS) e aprendi a ajudar outras pessoas.

Nunca conheci parteira triste, ou parteira feia ou parteira que reclamasse da vida. Uma parteira nunca se sente só, sempre escuto: Era eu e Deus…

Semana passada, estava numa roda de mulheres, no encontro da lua Nova, organizado pela Sabrina, e conheci a Alba, que tava de passagem por São Paulo (vc não acreditaria mas ela tava sentada do meu lado). Não sei como o assunto surgiu mas ela também conhecia Tidu e havia feito um outro trabalho sobre o resgate da ancestralidade daquela vila mágica, foi quando ela me falou que ela Tidú tinha morrido, há poucos meses (2009).

Tidu é a parteira nº 1 das mais de 900 mulheres que já entrevistei.

Apesar de beata, Tidu era mesmo uma religiosa do próprio espírito .

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