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rezas e altares

Dois de fevereiro, dia de Iemanjá


Dia dois de fevereiro
Dia de festa no mar
Eu quero ser o primeiro
A saudar Iemanjá

Escrevi um bilhete a ela Pedindo pra ela me ajudar

Ela então me respondeu
Que eu tivesse paciência de esperar

O presente que eu mandei pra ela

De cravos e rosas vingou
Chegou, chegou, chegou

Olinda, 2008, parteiras fazendo uma oferenda a Iemanjá na abertura ecumenica do Congresso Cais do Parto

texto: Dorival Caymi,  fotos: Bia FIoretti

 
 
 

Afinal que o dia dela chegou

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Maria, parteira do próprio filho


A celebração do Natal (independente do aspecto religioso) é um período que se comemora um nascimento natural. Uma mulher que deu a luz  estando só, onde foi respeitado as forças da natureza, depois esse nascimento foi abençoado e brindado por reis e por astros.

Baltazar, árabe, levou incenso simbolizando a divindade do Menino Jesus
Belchior, indiano, levou ouro – um reconhecimento a Realeza
Gaspar era etíope, levou  mirra que simbolizou a Humanidade de Jesus

Que esse momento sirva, para os dias de hoje, como uma reflexão e exemplo para nascimentos abençoados e saudáveis. Esse vídeo é um poema brasileiro, não deixe de ver.

The celebration of Christmas (regardless of the religious aspect) is a time that marks a natural birth. A woman who gave birth standing alone, where she met the forces of nature, then this birth was blessed by kings and stars.

This celebration serves for us at this time as a reflection and an example for healthy births.


La celebración de la Navidad (con independencia del aspecto religioso) es un momento que marca un parto natural. Una mujer que dio a luz por sí solo, donde se reunió con las fuerzas de la naturaleza, este nacimiento fue bendecido por los reyes y las estrellas.

Ese momento sirve para el día de hoy, como un reflejo y un ejemplo para los nacimientos saludables.


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Pertinho de Deus


 

vista aérea

Abadia de San Galgano

A ruína de uma Cadedral, próximo a Siena, na Toscana, Itália é dos lugares mais mágicos que já estive, uma história cheia de energia e mistérios. Aqui eu aprendi o verdadeiro significado da palavra religare (religião)

Tudo começou qdo fui visitar uma amiga querida (da é poca de  escola), depois de 20 anos. A Stefania mora em Parma, é restauradora de igrejas do “cinquecento” (1500) ela sugeriu ese roteiro e afirmou:” um lugar absolutamente inesquecível”. (na novela Passioneo diálogo de Gema e Beth, quando ela procura Totó na Itália,  ambas estavam  sentadas  no que seria o altar dessa igreja e foi isso q me inspirou fazer esse post).

Depois de cruzar muitos campos toscanos chega-se a um monastério. Uma ruína onde só as paredes estão de pé.

 

a cadetral impressiona pelo tamanho e pela integração na paisagem

 

A suposta cúpula passou a ser o céu, o que te deixa mais perto de Deus, não há barreira alguma entre nós.

O piso é de terra batida, a grande mãe terra, tirei os sapatos com os pés na terra levantei as mãos pro céu. Os santos e afrescos foram absorvidos por plantas, árvores e pássaros que entram pelos espaços vazios das janelas.  Como se o universo  estivese cercado por uma moldura de paredes. Senti uma energia incrível ao visitar San Galgano é literalmente um portal para uma outra dimensão. Até aquele momento não fazia ideeia da história que estaria pro traz daquela ruina.

 

suspiro profundamente uuuuufffffffffff!

 

O lugar emociona, é divino.

Depois de rezar, chorar, meditar descobri uma pequena capela, no alto da morro ao lado do monastério.

Chiusdino

Veja bem nesse 3D a posição celeste da espada entre todos os signos do zodíaco que é percorrido pelo feixe de luz, coincidência?

 

a espada era a lei?

 

San Galgano viveu no sec. XII, trocou a vida entre as lutas de um cavaleiro e seus prazeres para se tornar um eremita. Ele se isolou numa cabana no alto do morro e enterrou , em 1180, sua espada de ferro numa pedra como uma cruz . Hoje a espada está protegida por uma redoma mas a espada não parece falsa. Eu vi, procurei uma fenda uma marca uma rachadura. Aqui não tem Código da Vinci, efeito especial ou cenário do Harry Potter, é realidade pura.


Algumas lendas dizem que ele chegou a ser um cavaleiro da távola redonda. A idade da espada atesta a originalidade da época.

Depois de anos constriram um mosteiro em homenagem ao eremita surgiu um dos braços da igreja católica.


Abadia de San Galgano, século XIII,  foi muito influente na Toscana,  foi protegido, recebeu dinheiro e apoio de Henry VI, Otto IV e de Frederico II. Foram muitas histórias de glórias e conflitos durante o apogeu e a decadência dessa catedral, no século XIV começou o declínio com fome de 1328 e praga de 1348 , que afetou toda hierarquia dos monges.

Em 1781 desabou o teto da igreja, em 1786 atingida por um  raio desabou a torre do sino, o bronze do sino foi vendido a kilo e a abadia foi transformada mesmo numa fundição, em 1789 a igreja  já tinha se tornado um lugar profano e  foi finalmente abandonada.

A energia do lugar que inspirou o cavalheiro Galgano a se tornar um homem santo emana em todo lugar.

Se você quiser conhecer mais dessa história achei o post do Marcos Machrysller conta toda a história tim tim por tim tim.


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13 de maio -libertação


Com apenas dois artigos foi assinada a lei Áurea:

Artigo1 : A partir dessa data, a escravidão é declarada abolida no Brasil

Artigo 2: Todos os dispositivos contrarios a este estão revogados.

Uma mulher, em 1888 tomou essa atitude, não importa os motivos, ou quais foram as influências sobre ela mas, foi a princesa (nem rainha era) que decidiu por fim naquela situação. Depois, coitada, jogaram toda a culpa da queda da monarquia sobre ela. Imagina que peso e que papel ela tem dentro da história.

O fato que a luta de liberdade não foi tão sangrenta como em outros lugares e que os africanos nos trouxeram algo maior que o desejo de liberdade, eles nos deram cor, sabor, parte dos saberes e da fé do nosso povo.

Hoje 13 de maio de 2010 eu, Bia Fioretti estou na Africa do Sul, pela primeira vez e justo hoje é minha palestra sobre as parteiras no mundo. É uma sensação incrível estar aqui prestando contas dessa herança étnica e cultural.

fotos de parteira, que fiz hoje 13 de maio, na Africa do Sul

Hoje estou aqui para nos apresentar e prestar contas de quem somos de fato e o que herdamos deles contando alguma das nossas histórias de parteiras

Apesar de ter chegado a menos de 48h e não ter saído de dentro do congresso dá pra perceber o esforço que todos fazem para ser amigáveis.

Soube que a profissão de enfermágem foi a primeira a ter igualdade de salário entre negros e brancos por isso houve uma grande procura pela profissão.

As enfermeiras parteiras africanas ainda lutam pela busca da humanização do parto, como em qualquer outro lugar que ja estive, mas é incrível a igualdade de condição salarial entre brancos e negros ter começado justamente entre as parteiras enferemeiras.

Aqui nessa auditório olhando as minhas fotos espalhadas pela sala e comparando a fisionomia e o olhar entre as minhas fotos e os rostos dessas mulheres aqui presentes, sinto que fiz a escolha certa ter vindo pra cá. (Não consegui incluir mais fotos e corrigir o texto, afinal eu uso MAC e tô num PC, socorro, depois eu concluo, mas quero postar assim mesmo, sorry)

Hoje 13 de maio eu faço a minha parte na luta pela liberdade de escolha e pela igualdade entre os povos.

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Tidú – remédio pra alma


Eu tava no olho do furacão dos meus 40 anos, no meio daquela crise de bússola desorientada. Prestes a me separar (depois de 14 anos), não via mais nada, tava completamente cega. Entrei num processo anoréxico, melancólico, não curtia como devia as crianças e, lógico, afogava as mágoas no trabalho. Até aquele momento eu nunca havia cruzado uma fronteira social, não tinha vida de dondoca, pq ralava muito, mas era bem patricinha – toda familia, casa trabalho, shopping, passaporte, cabelereiro.

Foi quando uma amiga, daquelas amigas; amigas mesmo, Adri Costa, fez um convite e me levou para o Espírito Santo ( olha bem o nome do lugar e s p i r i t o  s a n t o), ajudar uma outra amiga dela, a Ninom, que planejava montar uma ONG, “O Caminho das Tradições Sagradas”  e eu tinha que fotografar e depois montar um projetinho . 2h de avião, 4h de carro numa estrada que parecia estar num trem fantasma de tantos perigos. Enfim, chegamos praticamente abduzidas num vilarejo, um cenário, quase na fronteira Bahia. Fronteira mesmo porque chegar lá parecia, um faroeste a caminho do fim de mundo ou seria a caminho do paraíso.

 

 

a parteira Tidú

 

Naquela noite encontrei a primeira deusa do feminino, aquela mulher que fez mudar o meu olhar para o mundo e consequentemente, mudou o rumo da minha vida. Tidú era parteira, conselheira, psicóloga, curandeira, ….eira, ela não contava história ela recitava as histórias e eram tão envolventes que se Guimarães Rosa tivesse escutado, teria se apaixonado.

Não havia um problema sem oração e sem solução.

Não havia uma erva , um matinho, que não curasse.

Ela era tão original que até o velho casaco rasgado, tava amarrado de uma forma mega fashion. A Dri e eu sentamos aos pés dela, enquanto Ninom fazia todas as perguntas e conduzia a conversa. Ficamos muitos dias juntas, e no final eu era a “fiel guardiã” de histórias incríveis.

Eram histórias além dos partos,  no fundo Tidú era uma grande terapeuta, aquela sábia como a avó-árvore do filme da Pocahontas.

Depois de uns dias, #surteigriteichorei, desabafei, pedi conselhos, vomitei meus segredos e  abri todos os medos pelo meu futuro. Ela olhou pra mim com aquela carinha de vóz da consciência e falou:

“Tem que chegar alguém na planta pra não murchar.

“Ocê tem que viver da forma que a ocê quer, pra ser feliz”

“Faça um mingau, beba e agradeça a Deus o dia que você vive”…. então Tidu completou:” eu faço o sinal da cruz e peço licença a Deus pra descansar e pra Nossa Senhora dos Passos pra me guiar no dia seguinte”.

No primeiro instante não entendi nada, queria respostas, tipo faço isso ou aquilo? Vou não vou? Caso ou compro uma bicicleta? Mas depois eu entendi –

tradução: É  vc tem que fazer algo por vc mesma, tem que se cuidar, se não acaba morrendo ou adoecendo, vc tem que fazer as coisas que te deixe feliz, que te dê prazer. Não existe remédio, vc tem que parar de se lamentar e começar a agradecer o que vc tem, volte a se nutrir, que vc alimenta o corpo e o espirito. Então ela disse: ” A noite quando eu vou dormir e não sei como resolver um problema, eu peço liceça a Deus pra dormir em paz  e que no dia seguinte eu saiba o que e como resolver”. Pedir licença a Deus seria reconhecer uma força uma energia maior que não te abandona. e todo dia, naquela hora que me boicotava eu pensava – tenho me regar como planta e alimentar o meu espírito, parace óbvio, mas na hora funciona.

Naqueles dias eu aprendi uma palavra chave “confiança”. Foi Tidu quem me inspirou a descobrir se as parteiras em geral seriam como ela. Fortes, sábias, conselheiras, mulheres que se propõe a ajudar os outros. Assim começou a minha busca da essência do feminino. O que essa nova Bia Fioretti pretente com isso?   Descobrir o que todas essas mulheres tem em comum, qual é essa essencia que temos em comum,  independente da cultura, raça ou religião. Assim nasceu o meu projeto pessoal, Mães da Pátria – Movimento de Resgate do Feminino através das Parteiras Tradicionais – foi por acreditar e conviver na energia que tem mulheres como ela que me tornei outra pessoa. Eu consegui superar  um monte de crise, me desconstruí e me reconstruí ( veja o post da CAOS) e aprendi a ajudar outras pessoas.

Nunca conheci parteira triste, ou parteira feia ou parteira que reclamasse da vida. Uma parteira nunca se sente só, sempre escuto: Era eu e Deus…

Semana passada, estava numa roda de mulheres, no encontro da lua Nova, organizado pela Sabrina, e conheci a Alba, que tava de passagem por São Paulo (vc não acreditaria mas ela tava sentada do meu lado). Não sei como o assunto surgiu mas ela também conhecia Tidu e havia feito um outro trabalho sobre o resgate da ancestralidade daquela vila mágica, foi quando ela me falou que ela Tidú tinha morrido, há poucos meses (2009).

Tidu é a parteira nº 1 das mais de 900 mulheres que já entrevistei.

Apesar de beata, Tidu era mesmo uma religiosa do próprio espírito .

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