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coisas de familia

13 de maio -libertação


Com apenas dois artigos foi assinada a lei Áurea:

Artigo1 : A partir dessa data, a escravidão é declarada abolida no Brasil

Artigo 2: Todos os dispositivos contrarios a este estão revogados.

Uma mulher, em 1888 tomou essa atitude, não importa os motivos, ou quais foram as influências sobre ela mas, foi a princesa (nem rainha era) que decidiu por fim naquela situação. Depois, coitada, jogaram toda a culpa da queda da monarquia sobre ela. Imagina que peso e que papel ela tem dentro da história.

O fato que a luta de liberdade não foi tão sangrenta como em outros lugares e que os africanos nos trouxeram algo maior que o desejo de liberdade, eles nos deram cor, sabor, parte dos saberes e da fé do nosso povo.

Hoje 13 de maio de 2010 eu, Bia Fioretti estou na Africa do Sul, pela primeira vez e justo hoje é minha palestra sobre as parteiras no mundo. É uma sensação incrível estar aqui prestando contas dessa herança étnica e cultural.

fotos de parteira, que fiz hoje 13 de maio, na Africa do Sul

Hoje estou aqui para nos apresentar e prestar contas de quem somos de fato e o que herdamos deles contando alguma das nossas histórias de parteiras

Apesar de ter chegado a menos de 48h e não ter saído de dentro do congresso dá pra perceber o esforço que todos fazem para ser amigáveis.

Soube que a profissão de enfermágem foi a primeira a ter igualdade de salário entre negros e brancos por isso houve uma grande procura pela profissão.

As enfermeiras parteiras africanas ainda lutam pela busca da humanização do parto, como em qualquer outro lugar que ja estive, mas é incrível a igualdade de condição salarial entre brancos e negros ter começado justamente entre as parteiras enferemeiras.

Aqui nessa auditório olhando as minhas fotos espalhadas pela sala e comparando a fisionomia e o olhar entre as minhas fotos e os rostos dessas mulheres aqui presentes, sinto que fiz a escolha certa ter vindo pra cá. (Não consegui incluir mais fotos e corrigir o texto, afinal eu uso MAC e tô num PC, socorro, depois eu concluo, mas quero postar assim mesmo, sorry)

Hoje 13 de maio eu faço a minha parte na luta pela liberdade de escolha e pela igualdade entre os povos.

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Vanguarda ou tradição, porque não os dois?


tia Iracema, entre 1930/40

Tia Iracema (irmã da minha bisavó) foi das mulheres mais incríveis que já conheci. Foi um grande personagem da minha adolescência.

Imagine uma senhora de mais de 80 anos vivendo nos anos 70, vestido de velhinha, sapato de velhinha, salto baixo plataforma com seu enorme dedão a mostra. O cabelo, igual da foto, branco mais macio que algodão com corte Chanel.

lata de 1971

Na época lançaram as primeiras cervejas de lata. Uma lata tão forte que não amassava. UAU! Abrir uma lata e ouvir o barulho. ZZZZZZZZ!

Tia Iracema vivia no Rio, nós morávamos em São Paulo, estávamos passando as férias na cidade maravilhosa e como de costume fomos vitar a bisavó (ela morava na rua Joana Angélica), encontrei tia Iracema a caminho da igreja Nossa Sra da Paz, quando ela me viu, me chamou de lado e mostrou, em pimeira mão e com o maior  orgulho, o relógio que tinha acabado de fazer.

Ela havia desmontado seu antigo relógio de ouro, customizou uma pulseira feita de argolas de cerveja e pequenos alfinetes dourados. Incrível!

infelizmente não herdei o arroubo criativo da titia, então criei esse modelito no photoshop

era deboche ou genialidade? Olhava o pulso dela absoutamente  fascinada,  era a coisa mais incrível  que já tinha visto,  imaginava ela rezando e a cara do padre vendo relógio da beata? KKKK (veja bem, estávamos nos anos 70 e ela já havia reciclado uma latinha de cerveja).

Só de ouvir as risadas de tia Iracema com as outras tias era motivo suficiente pra eu largar qualquer brincadeira com as outras crianças. Apelidei-a de Tiazona,  era tia + ZONA (alegria + bagunça).

meu pai, arquiteto, também era bem moderninho

Então Tiazona veio nos visitar em São Paulo, (lembre-se anos 70s). No final da tarde ela e meu pai sentaram no sofá da sala, ela pediu um cerveja preta e também queria escutar uma música, aquela, disse ela,  que começa com o barulho das moedas. Pink Floyd? Aquela música que meu pai escutava sempre e que na época eu não dava a menor bola? Foi aí, que dei valor aquele disco com capa preta com as cores do arco-íris. Se Tiazona gostava devia ser bom mesmo.

Eu, uma menina quase uma adolescente que acreditava que a pessoa mais moderna do mundo era uma tia velha irreverente. Incrível!

Ela trouxe de presente pra minha mãe o jornal do descida do homem na lua (que havia sido alguns anos antes), ela disse que era um presente para meu irmão que nasceu em 69, com o argumento nunca guardávamos a nossa memória junto com os acontecimentos marcantes que permeavam as nossas vidas.

lembro-me bem desse dia,  estava deitada no colo da minha mãe, com a cabeça na barrigão dela, na hora que o homem pisou na lua, o meu irmão deu um chute bem forte, eu levei um susto. A barriga da minha mãe era mais estranha que a lua. Ou teria um astronauta lá dentro?

Quando Tiazona morreu devia ter uns 16 anos . Fomos ao Rio para o enterro e para esvaziar o quartinho que ela vivia. Minha mãe, minha tia, e eu abrindo caixas. (sabe porque adoro fazer albuns e arrumar meus guardados? para o dia que eu morrer as pessoas entenderem a minha história e terem pena de joga-la no lixo, faço direção de arte em albuns, caixas, bloquinhos de anotações) Muitos papéis, revistas e alguns livros, fiquei com dois livros encadernados escritos a mão que iam para o lixo e uma caixa de prata com as iniciais LG ( depois conto o significado dessa inicial).

Os livros eram os diários contábeis de soldos de almirante, do falecido marido, datam desde 1907 , além disso haviam muitos documentos de patentes militares e condecorações, assinado inclusive por D. Pedro, isso será assunto pra muitos posts…aguardem

Esse é um dos books – o passado, o presente e o futuro – todos alinhados em uma tenue linha. Pra  tia Iracema o tempo era apenas uma questão de cronologia onde os 3 tinham a mesma importância.

Fazendo esse post, me dou conta que mesmo eu sendo criança já buscava uma referência do que é a magia de envelhecer. Tia Iracema é um dos vértices do feminino dessa Bia Fioretti, que tanto busca a essência nas mulheres pelo mundo.

Com essa tia, aprendi a traçar um paralelo das nossas vidas com a história – associar os contecimentos juntos na nossa memória. Hoje eu digo que ao traçar uma linha do tempo, o futuro pode estar tão eqüidistante quanto o passado. Como fazer isso? Pra mim é manter o passado consciente, os sentidos aguçados em alerta e encontrar e transformá-los em tendências. Vc não poderá prever a história mas quem sabe poderá fazer parte dela.

Ter tias fortes com um feminino marcante me faz lembrar um livro lindo, “ A Ciranda das Mulheres Sábias”,  Clarissa Pinkola Estés – que fala muito da influência de tias fortes na nossa vida. É lindo recomendo!

MEUS LOOKS:  o tal relógio sempre esteve presente na minha memória, talvez por isso sempre busque na sutilezas a tal irreverência.

Casaco alfaiataria, os botões dourados, são chaves antigas de verdade: Alessandra Hyppolito. Amor a primeira vista, quem me vendeu me afirmou que ela havia trabalhado no atelier de Vivian WestWood em Londres, não tenho certeza. Mas o casaco é um luxo faz o maior sucesso.

as chaves são de verdade, bem antigas

Relógio M&Co comprei na lojinha do MOMA NY , percebeu a sutileza????? rssss, a titia ia achar o máximo

repare na órdem dos números

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O paraíso realmente existe, no fim do mundo


“Nos confins e lugares extremos da terra, mas além das colunas de Hércules, atravessando o tenebroso Oceano existe ilhas paradisíacas que gozam de um clima primaveril, cujos campos fornecem todas as classes de alimentos e frutos sem precisar plantá-los, acreditamos ser os Campos Elíseos que tanto falam os poetas e filósofos. Nessas ilhas residem as Hespérides, filhas de Atlanta, o grande soberano de Atlântida, que custodiam junto com um dragão um jardim maravilhoso. Nesse lugar está a árvore que contém a essência da imortalidade e produz maçãs de ouro, aquelas que Hércules buscava. As almas dos Bem Aventurados que vivem nessas ilhas estão livres de preocupações e os casais estão no paraíso. Entre as ilhas vive um cetáceo que navega a deriva que aparece e desaparece levando 7 cidades nas costas.” La Mitologia, todo sobre Canárias – Marcos Martinez

Imagine viver numa Europa gelada ou um deserto inóspito e escaldante, então imagine um tal aventureiro que supera todas adversidades marinhas, ondas e monstros e chega em um paraíso quase tropical.

Mar violento em Puerto Mogan - viagei no enorme cetácio protegendo a ilha e os perigos de um mar aberto

ILHAS CANÁRIAS

Até a partida de Colombo (sim, ele saiu de lá) essas ilhas foram consideradas a última fronteira conhecida do mundo ocidental – lá literalmente era o fim do mundo.

a igreja é o ponto mais alto da capital Las Palmas, dá pra subir de elevedaor

No final de fevereiro, fui para Las Palmas (uma das ilhas Canárias) convidada para expor as minhas fotos das parteiras tradicionais, no “Congreso Interatlántico sobre Parto e Investigacion en Salud Primal”, que teve o apoio da OMS (Organização Mundial de Saúde). (Enlouquecida de trabalho, como sempre, planejei e me inscrevi no congresso sem ter idéia para onde iria). Na véspera da viagem que descobri que as tais ilhas ficavam no Oceano Atlântico, abaixo da Espanha e do Marrocos na direção frontal a 115 deserto do Saara. Abduzida, cheguei na ilha sem fazer a menor idéia do peso histórico que havia lá. Amei!

levei uma delegação de 73 parteiras tradicionais do Brasil, que brilharam com seus sorrisos e emocionaram muitos gringos que não faziam idéia que ainda tinhamos, aqui no Brail, tesouro feminino tão grandioso

Esse é o visual do auditório do encontro, no fundo um espelho d'agua e depois o mar, indiscritivel

1200 visitantes no do Auditório Congreso Interatlántico sobre Parto e Investigacion en Salud Prima

25/02/2010 -Sao/Madrid/ Las PALMAS – Logo de cara a gente pode ver, a uma curta distância: paisagem árida X vegetação abundante, sol, montanhas, vulcões, vulcões com picos nevados, dunas, praias mansa, praias brava com ondas pra surfistas, penhascos, dunas e plantações com frutas no ano inteiro. A diversidade do relevo de todo um continente está em apenas 3 ilhas

Puerto Mogan - a Veneza das Canarias

Vários estudiosos atestam que o criativo Homero fez a “ambiance” da sua Odisséia lá, nas ilhas Canárias: selva, montanha, neve, penhascos, dunas e mares violentos favorecem o místico e o extraordinário. Além disso tem o bucólico, o mar calmo, as frutas e as flores, as sombras das palmeiras, uma temperatura primaveril o ano todo, literalmente o paraíso – tudo isso foi geograficamente demarcados e povoado por heróis e titãs.

Enfrentar os titãs e conquistar o paraíso. O importante é que pela primeira vez, um mundo de UTOPIA, aquele mundo ideal, poderia existir de fato.

Dunas de MASPALOMAS - não é dificil de imaginar a luta entre heóis e titãs - vale a pena pra conquistar esse paraiso

Historiadores atribuem monstros como Gérion (gigante de 3 cabeças e um único corpo que rugia quando Hércules roubou seu rebanho – assim ruge um dos vulcões canário. Também Segundo Hesíodo, viviam 3 grande monstros femininos, (Esteno, Euriale e Medusa).

cactus Gigante das Canárias - achei a cara da medusa com seus tentaculos e espinhos

Ao grande mito canário é atribuído sinônimos que já ouvimos, Ilha dos bem aventurados, Ilha de Campos Elíseos, o que teria sobrado de Atlântida, Jardim das Delícias e o mais incrível é que estaria lá a árvore que Zeus presenteou Hera, com o fruto da sabedoria, a árvore que uns dizem que era maçãs, outros laranja e já escutei nêspera, estaria em Las Palmas protegida pela Hesperides.

eles viveram em cavernas II sec antes de Cristo

Na realidade, historicamente, os primeiros povos foram Guanches do deserto do Saara, e há ruínas e descobertas arqueológicas impressionantes na ilha, principalmente com referencias para o feminino, isso fica para ouro post.

Casa de Colombo no porto da Bahia de las Palmas - num lugar desse era motivador encontrar outros paraísos

Fantasias a parte, a praça central do porto é incrível, onde podemos viajar no tempo e ver a casa de Colombo, o museu com objetos, referências e entrar na sala que reproduz um navio. O lugar realmente é lindo.

vc tomaria água Teror, da fonte natural do paraiso? vale a pena, essa água é purissima e não tem nada de teror, é deliciosa

Subimos a montanha para irmos a Teror, e como estamos no paraíso a cidade é uma charmosinha, histórico no meio da mata e bem fresquinha – tipo Campos de Jordão

a barbearia de Teror não tem nada de sinistra, é um charme

– em meia hora pode ir voltar ao porto escaldante de Colombo- mais meia hora na auto estrada chega-se e Maspalomas, parece uma Miami/ Guarujá lotada de alemães e inglês fritos no sol, mas tem dunas lindas.

bucolica Puerto Mogan é um convite ao ócio - utópica realmente

Se tiver paciência e mais uns 40 minutos de estrada, chega-se em uma Veneza Marinha bem bucólica – Puerto Morgan, a estrada é linda, no meio das montanhas com penhascos e mar aberto. A cidade um charme, limpa, comida ótima e um toque turístico bem provinciano, nenhum luxo e puro charme.

rota de Colombo pra chegar as "índias"

Depois dessa experiência as Ilhas Canárias (que antes eram pra mim apenas um ponto de referencia no mapa do monitor, de dentro do avião, que indicava que em alguma horas chegaríamos na Europa), passou a ser um roteiro daqueles lugares que vc gostaria de voltar e conhecer todas as ilhas, fazer a literalmente uma Odisséia e incluir todas as paisagens, monstros, heróis, praias (veja bem nada se compara as nossas praias, lá a areia é vulcânica, pretinha), palmeiras frutas tudo que uma heroína urbana tem direito de gozar.

todos são gentilissimos, na ilha, é verdade rsss

Pra terminar a viagem enfrentamos a ira dos Titans e Houve uma tempestade de areia vinda do deserto do saara, senti essa tempestade em Maspalmas mas naquele momento não achei que era vinda do deserto, Qual Titão seria esse? Tenho que perguntar a Homero.

imagens da Nasa

e também convém levar óculos escuros

Se vc for pra lá  e tiver que enfrentar a furia de uma tempestade,  é melhor prender o cabelo porque  o vento é brabo e a areia voa forte

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Tidú – remédio pra alma


Eu tava no olho do furacão dos meus 40 anos, no meio daquela crise de bússola desorientada. Prestes a me separar (depois de 14 anos), não via mais nada, tava completamente cega. Entrei num processo anoréxico, melancólico, não curtia como devia as crianças e, lógico, afogava as mágoas no trabalho. Até aquele momento eu nunca havia cruzado uma fronteira social, não tinha vida de dondoca, pq ralava muito, mas era bem patricinha – toda familia, casa trabalho, shopping, passaporte, cabelereiro.

Foi quando uma amiga, daquelas amigas; amigas mesmo, Adri Costa, fez um convite e me levou para o Espírito Santo ( olha bem o nome do lugar e s p i r i t o  s a n t o), ajudar uma outra amiga dela, a Ninom, que planejava montar uma ONG, “O Caminho das Tradições Sagradas”  e eu tinha que fotografar e depois montar um projetinho . 2h de avião, 4h de carro numa estrada que parecia estar num trem fantasma de tantos perigos. Enfim, chegamos praticamente abduzidas num vilarejo, um cenário, quase na fronteira Bahia. Fronteira mesmo porque chegar lá parecia, um faroeste a caminho do fim de mundo ou seria a caminho do paraíso.

 

 

a parteira Tidú

 

Naquela noite encontrei a primeira deusa do feminino, aquela mulher que fez mudar o meu olhar para o mundo e consequentemente, mudou o rumo da minha vida. Tidú era parteira, conselheira, psicóloga, curandeira, ….eira, ela não contava história ela recitava as histórias e eram tão envolventes que se Guimarães Rosa tivesse escutado, teria se apaixonado.

Não havia um problema sem oração e sem solução.

Não havia uma erva , um matinho, que não curasse.

Ela era tão original que até o velho casaco rasgado, tava amarrado de uma forma mega fashion. A Dri e eu sentamos aos pés dela, enquanto Ninom fazia todas as perguntas e conduzia a conversa. Ficamos muitos dias juntas, e no final eu era a “fiel guardiã” de histórias incríveis.

Eram histórias além dos partos,  no fundo Tidú era uma grande terapeuta, aquela sábia como a avó-árvore do filme da Pocahontas.

Depois de uns dias, #surteigriteichorei, desabafei, pedi conselhos, vomitei meus segredos e  abri todos os medos pelo meu futuro. Ela olhou pra mim com aquela carinha de vóz da consciência e falou:

“Tem que chegar alguém na planta pra não murchar.

“Ocê tem que viver da forma que a ocê quer, pra ser feliz”

“Faça um mingau, beba e agradeça a Deus o dia que você vive”…. então Tidu completou:” eu faço o sinal da cruz e peço licença a Deus pra descansar e pra Nossa Senhora dos Passos pra me guiar no dia seguinte”.

No primeiro instante não entendi nada, queria respostas, tipo faço isso ou aquilo? Vou não vou? Caso ou compro uma bicicleta? Mas depois eu entendi –

tradução: É  vc tem que fazer algo por vc mesma, tem que se cuidar, se não acaba morrendo ou adoecendo, vc tem que fazer as coisas que te deixe feliz, que te dê prazer. Não existe remédio, vc tem que parar de se lamentar e começar a agradecer o que vc tem, volte a se nutrir, que vc alimenta o corpo e o espirito. Então ela disse: ” A noite quando eu vou dormir e não sei como resolver um problema, eu peço liceça a Deus pra dormir em paz  e que no dia seguinte eu saiba o que e como resolver”. Pedir licença a Deus seria reconhecer uma força uma energia maior que não te abandona. e todo dia, naquela hora que me boicotava eu pensava – tenho me regar como planta e alimentar o meu espírito, parace óbvio, mas na hora funciona.

Naqueles dias eu aprendi uma palavra chave “confiança”. Foi Tidu quem me inspirou a descobrir se as parteiras em geral seriam como ela. Fortes, sábias, conselheiras, mulheres que se propõe a ajudar os outros. Assim começou a minha busca da essência do feminino. O que essa nova Bia Fioretti pretente com isso?   Descobrir o que todas essas mulheres tem em comum, qual é essa essencia que temos em comum,  independente da cultura, raça ou religião. Assim nasceu o meu projeto pessoal, Mães da Pátria – Movimento de Resgate do Feminino através das Parteiras Tradicionais – foi por acreditar e conviver na energia que tem mulheres como ela que me tornei outra pessoa. Eu consegui superar  um monte de crise, me desconstruí e me reconstruí ( veja o post da CAOS) e aprendi a ajudar outras pessoas.

Nunca conheci parteira triste, ou parteira feia ou parteira que reclamasse da vida. Uma parteira nunca se sente só, sempre escuto: Era eu e Deus…

Semana passada, estava numa roda de mulheres, no encontro da lua Nova, organizado pela Sabrina, e conheci a Alba, que tava de passagem por São Paulo (vc não acreditaria mas ela tava sentada do meu lado). Não sei como o assunto surgiu mas ela também conhecia Tidu e havia feito um outro trabalho sobre o resgate da ancestralidade daquela vila mágica, foi quando ela me falou que ela Tidú tinha morrido, há poucos meses (2009).

Tidu é a parteira nº 1 das mais de 900 mulheres que já entrevistei.

Apesar de beata, Tidu era mesmo uma religiosa do próprio espírito .

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O parto da Gisele Bündchen


A mais nova modelo do parto humanizado

meia perna – A primeira vez que vi Gisele Bündchen na mídia faz uns 13 anos, ela estava na capa de uma embalagem de meias de nylon cor da pele, de uma fábrica de meias que já imprimia a sua personalidade no mercado, a Puket, . Eu trabalhava na nova campanha de propaganda dessa marca e recebi uma série de meias-calça, que me surpreenderam porque eram melhores que o padrão do mercado. Na época nas caixas das meias tinham apenas a foto do detalhe de um par de pernas na capa da embalagem.

usávamos de manhã a noite, e sempre com um par extra na bolsa, a qualquer momento puxava o fio

• corpo inteiro – A Puket inovou, quebrou o padrão da época colocou na capa das meias modelos de corpo inteiro, investiu em novas embalagens, e suas meias estavam em modelos lindas e foram clicadas por bons fotógrafos – Assim, a imágem insinuava que Gisele Bündchen estava nua, vestida só com as meia de nylon “nude”, que não apareciam.

Daquele job sobrou alguns produtos para eu usar, realmente eram ótimas, naquela época usávamos, “meia fina” em qualquer ocasião. Eu normalmente trazia ou encomendava as minhas da Century 21, ou pedia pra quem viajava pra NY, tinha uma gaveta cheia dessas meias.

• achados e perdidos – A moda mudou. Outro dia abri a tal gaveta, tipo sem querer mesmo, e achei as meias nylon, algumas ainda estava fechadas, foi aí que me dei conta que aquela jovem da capa da meia Puket era a nossa atualmente famosa Übermodel Gisele Bündchen, no início da carreira. Na época era apenas uma adolescente bonita

Gisele Bündchen nos anos 90

No país do futebol, Gisele Bunchen virou ícone nacional, nós mulheres tínhamos agora um ídolo feminino, pra mim a referencia do imagem das palavras Mulher X Brasil, no exterior, era até então, Carmem Miranda, que nem brasileira era. Digo mulher personalidade, não estereótipo de biquínis recheados de bundas e peitos.

republica das bananas

• caminhada – Gisele passa a ser reconhecida por sua beleza e a personalidade marcante de quem impõe o seu próprio estilo e não precisava desfilar com “bananas penduradas a tiracolo” em todos os sentidos.

Nós, os espectadores, passamos a ter a percepção que ela tinha uma educação cheia de conexões familiares. Era a sua família que aparecia na mídia, não as suas farras e festanças. Quantas mulheres não sentiram orgulho, como se fossemos nós mesmas, que namorássemos o herói do Titanic e o mais legal é que tivemos a impressão que foi ela que dispensou o bonitão.

Gisele Bunchen nos levava ao olimpo ou nos fazia acreditar que uma mortal poderia chegar lá. Ela, um misto Vênus com a autenticidade da mulher do interior.

essa Nossa Sra. do Bom Parto estava na parede da casa da minha avó

• dois pares de pernas – De repente ídolo se casa escondido, protege a sua gestação e quando ligo a TV escuto a chamada do programa que se diz o “show da vida” e que normalmente me arrepia de tanto show de desgraças. Sabe daquela musiquinha que nos faz lembrar que o final de semana acabou? De repente escuto a dita chamadinha mas dessa vez anuncia que a nossa mulher maravilha teve um bebe de parteira na banheira da sua casa. Como assim? Passei o final de semana com a tv ligada atenta na musiquinha.

M A R A V I L H A.!!!!! Ao decidir por um parto natural, Gisele comprova que além de poderosa é corajosa e está mais empoderada. Hoje a recém parida Gisele Bündchen foi porta voz do parto humanizado e com seu testemunho reforça a causa que tanto defendemos na Rede de Humanização do Parto e Nascimento. ReHuNa

• de pernas pro ar – Brasil é recordista mundial no número de cesarianas . A Organização Mundial de Saúde recomenda: só 15% dos partos devem ser cesáreas. Mas no Brasil, nos hospitais particulares, foram 84% no ano passado, de acordo com a Agência Nacional de Saúde. Na rede pública, 31%. Os médicos defendem a cesariana, segundo eles por uma questão de segurança mas Ministério da Saúde questiona essa recomendação, porque para o governo, o parto normal é muito mais seguro para a mãe e para o filho.

• ter os pés no chão – Ouvi uma vez que ter um filho dessa forma, natural e sem anestesia transforma a mulher em heroína da própria vida. No último ano o número de mulheres que, estando em condições clínicas perfeitas para ter parto natural, sem anestesia, dentro de casa – que enfrentou o preconceito social e do sistema de saúde formal e escolheu uma parteira é incrível . Essa opção deixou de ser uma opção de pessoas humildes ou hippies, naturebas, alternativos que se alimentam de amor e uma cabana.

a mulher empoderada mantém os pés para baixo durante o parto, assim não perde a conexão com a mãe terra e nem consigo mesma

Muitas mulheres lindas, colunáveis, de alto poder social, passaram a ter orgulho de mostrar que são mulheres que respeitam seus corpos físicos, espirituais e acima de tudo fisiológicos. E que depois dessa experiência ainda ficaram mais bonitas.

Esse assunto esteve na mídia há um ano quando a modelo Andréa, mulher do ator Marcio Garcia teve o terceiro bebe na própria cama, em casa, com a parteira @heloisalessa, o bebe nasceu com 3,95kg (repare o tamanho da criança) e 50cm , o primeiro filho dela foi cesárea, o segundo parto normal no hospital e esse em casa.

caras.com.br

erik e larissa 4 meses depois da chegada do bebe

A também modelo Larissa Burnier casada com o ator Erik Marmo, teve o Daniel de parto normal e em casa, também com a @heloisalessa, o bebe nasceu com 54 centímetros e 3,8 kg.

• Hoje sinto o meu dia ganho. Gisele Bündchen relata o nascimento do seu filho na água. Parir com uma parteira e na água é uma prática muito usada fora do Brasil. O bebe já estava dentro da água quando estava na barriga da mãe. Quando nasce ele ainda está respirando através do cordão umbilical por isso não se afoga. O bebe só passa a respirar pelos pulmões quando o cordão é cortado. Nesse vídeo abaixo, filmado pelo Dr. Miguel, da Clinica la Primavera, no Equador, pode-se ver como é um parto na água – É LINDISSIMO!  NÃO PERCA, É UMA POESIA, o parto de Gisele Bündchen deve ter sido semelhante

• pôs as pernas pra fora – Nesse domingo, escutamos um verdadeiro Show da Vida com o relato fantástico da nossa superpoderosa modelo Gisele Bündchen, que aparece exatamente quando acaba o resguardo (6 semanas). Ela coloca com perfeição e simplicidade as questões do tempo do parto (8 horas é muito bom para 1º filho), da conexão com a mãe – ancestralidade – não delega para 3º. Ela fala da esperança e desejo de imaginar que a cada contração o bebe estaria chegando mais perto dela, assim ela transformou a dor. reveja a entrevista do Fantástico

• desnuda de corpo e alma – A menina da capa das meias de nylon, se coloca inteira, Gisele Bündchen se despe e nos mostra a pureza do seu espírito, se coloca assim conectada como um modelo, não de passarelas, mas modelo do Universo Feminino, assim com a mesma importância, força e a coragem se colocaram as “veteranas” Andrea e Larissa quando decidiram ter filhos de forma natural.

Todas essas modelos profetizam no seus relatos a Ciência do Início da Vida, tese escrita e defendida pela renomada psiquiatra Dra. Eleanor Madruga Luzes, esse trabalho está disponível para lido, copiado e divulgar no link acima e todo mundo deveria conhecer.

Agora, com essa grande bandeira hasteada, em pleno horário nobre, sigamos passo a passo esse modelo de vida.

E eu, Bia Fioretti, dentro desse universo feminino, caminho pé ante pé para registrar essas histórias no projeto Mães da Pátria .Dediquei todo esse final de semana a esse post, na esperança de encorajar cada vez mais mulheres a viver, com segurança, essa experiência. Desejo, em curto espaço de tempo, que a população de deusas do feminino e de bebes iluminados aumente, para assim termos o nosso planeta + feliz, + protegido e + respeitado.

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caos – parade


Comunicado: dessa vez eu não participei da cow parede, já recebi vários e-mails perguntando isso. Da outra vez fizemos a CAOS em parceria e batizada pelo Giba Reis,  fiz o desenho como expurgo de uma crise pessoal e recomeço vida. Caos foi uma vaca supercolorida inspirada no meu processo de desconstrução – A cabeça virada pra traz e pra cima, morte e renascimento, as tetas estavam partidas, uma alimentava a terra a outra o espírito – http://saopaulo.cowparade.com/cow/detail/3216

Entrei no processo de seleção cow parade por um desenho, que enviei após ter recebido uma mala direta, o desenho foi selecionado e não foi escolhido pelos patrocinadores para ser produzido. Uma semana antes do lançamento a própria organização ligou e me convidou a fazer a Caos, a própria cow parade seria a patrocinadora da vaca. Passei um final de semana no galpão, com a equipe de montagem do evento, serrando e colando com resina e fibra vidro aquele bichão.

Inauguração: tremenda badalação no MIS, e a CAOS tava logo na entrada, o idealizador máster da cow parade NY me falou que foi das vacas mais diferentes que já tinha sido produzida. Incrível! Mal sabia ele que era o meu espelho, era como me sentia, picada, esquartejada e tentando achar uma estética no meu universo caótico.

Depois do Mis a vaca passou uma semana no Iguatemi, quando foi consignada por uma loja de criança, a vaca que representava a minha desconstrução, morta e esquartejada, ficou conhecida como a vaca cubo mágico.

Soube que foi atropelada na Al. Lorena, depois restauraram. No leilão, da cow parade a Caos foi arrematada entre os maiores valores da noite soube que ela se instalou numa fazenda. No final do concurso, levamos o 1º premio do júri especial da cow parade dividimos o podium com ao artista plástico www.ricolins.com/ com a vaca O+Avesso+do+Avesso. Não posso negar que isso me deixou + feliz

A experiência foi incrível, aconselho a exorcizar na arte as angústias e o sofrimento, quando conseguimos transmitir originalidade num trabalho, ele acontece.

Mas dessa vez, 2010, não tinha fôlego pra mergulhar tão fundo no inconsciente – e passar outro parto criativo

valeu Guto – http://euviavaca.blogspot.com/2005_09_11_archive.html– vc  guardou a minha memória – algumas dessas fotos tavam na sua página até hoje

leite

prêmio cow parede

look cowparade – festa do Mis,  garimpei essa jaquetinha do Kenzo, num brechó, http://www.kenzo.com – amei, supercolorida, retângulos partidos com fatias de frutinhas de cores alteradas – tipo negativo. O resto era pretinho básico mesmo , mas a jaqueta mudava o efeito dia a dia. Quando abri o armário não sabia o que tinha influenciado o que? A jaqueta inspirou a vaca ou vice-versa? O fato é que tudo se mimetiza no universo da Bia

casaco kenzo vintage

jaqueta kenzo - vintage

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